Rodrigo

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A cerca de 35 quilômetros de Brasília, está o Sol Nascente, comunidade que, desde 2023, é considerada a maior favela do Brasil em número de domicílios. São 32.081 domicílios, um crescimento de 31% em relação a 2010. É ali, no CRAS Sol Nascente, que o assistente social Rodrigo Afonso trabalha, junto a uma das populações mais vulneráveis do País. Mas ele afirma não estar ali para ajudar – é mais que isso: “Eles vêm procurando ajuda. A gente explica que o CRAS não oferece ajuda. Isso é política pública, é um direito”. Assim ele define a sua filosofia de assistência social: não se trata de querer ajudar, somente, mas sim de contribuir com a vida dos outros: “Mostrar para a pessoa que é um direito dela”.

Como se trata de uma região muito empobrecida do Distrito Federal, Rodrigo diz que boa parte da comunidade local passa pelo CRAS, por um motivo ou outro. Entre o público, muitas mães solteiras e pessoas idosas, que buscam não só o Bolsa Família, o Auxílio Gás ou o Benefício de Prestação Continuada (BPC) – uma série de outros benefícios também estão vinculados ao Cadastro Único, processo que é realizado no CRAS. “Uns 80%, quase 90% da população [da região] passa pelo Cadastro Único. Tarifa social de energia elétrica, depende do Cadastro Único; a Carteira do Idoso, depende do Cadastro Único; muitos programas dependem do Cadastro Único hoje”. Por isso, afirma Rodrigo, trata-se de fato de uma porta de entrada: “Nós costumamos falar que é a porta de entrada, o Cadastro Único. A porta de entrada para vários outros benefícios. A pessoa, assim que ela é assistida a primeira vez, o primeiro contato que nós temos com ela, em sequência ela faz o Cadastro Único. Dali para frente, a gente fala para ela: ‘A sua vida vai mudar’”.

Além disso, para garantir que todas as pessoas tenham acesso a essa porta, há uma busca ativa por beneficiários. Existem regiões no Sol Nascente distantes do CRAS, onde (quando muito) passa um ônibus por dia. “Então a gente tenta encontrar um lugar de apoio, geralmente uma escola ou um posto de saúde. A gente vai lá e oferta o serviço, porque muitos deles não tem como chegar aqui no CRAS”, explica Rodrigo.

Ele define a sensação de contribuir com a comunidade como gratificante: “Eu também venho de família pobre. Tu ver uma mãe chegar aqui e falar para você: ‘Tô conseguindo comprar alimento, comprar material escolar para meu filho…’. Tu te sente participando da vida da pessoa. Eu, como filho, lembro do meu pai, falando essas coisas, que tava difícil o mês. E quando eu vejo uma pessoa aqui hoje, no nosso CRAS, e a gente consegue mudar isso para ela… e não são poucas pessoas, não, são muitas. Hoje, o Bolsa Família ajuda milhões de pessoas no Brasil. No DF não é diferente, então eu sei que as pessoas são ajudadas e eu fico muito feliz e satisfeito em participar da assistência social”.

A memória dos pais é algo presente em Rodrigo. Hoje atuando como cadastrador, ele também já esteve do outro lado: logo em seus primeiros dias no CRAS, pesquisou seu próprio CPF no sistema do Cadastro Único. Descobriu que estava lá, embora sua mãe nunca tenha dito nada. Sem saber, o Cadastro Único também mudou a sua vida e a de sua família: “Mudou [a minha vida]. Eu não sabia, minha mãe não falou nada para mim. Os pais têm esse cuidado de proteger o filho. No dia que eu vi esse cadastro, lembrei da preocupação da minha mãe com a gente. Fiquei feliz”.