Beatriz

Beatriz

6,5 mil quilômetros separam Barcelona, no norte da Venezuela, de Porto Alegre, no sul do Brasil. Foi essa a distância percorrida por Beatriz Del Carmen Sifontes, junto aos filhos, em busca de melhores condições de vida. Após passar por um abrigo em Roraima e ser recepcionada pela Operação Acolhida, foi a Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, por indicação de uma sobrinha, que já vivia lá. Na cidade, encontrou acolhimento, tanto das pessoas quanto dos equipamentos do Estado: “Me sinto muito agradecida por ter sido acolhida dessa maneira. Sinto que, mesmo tendo nacionalidade venezuelana, me atendem igual, como uma brasileira. Não vi discriminação”.

Beatriz se refere ao atendimento na unidade do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) em Alvorada, cidade vizinha a Porto Alegre, onde se instalou em uma pequena casa de madeira. De início, causou-lhe surpresa a existência de um lugar como esse, cujos serviços não distinguiam as pessoas por origem nacional, mas por necessidade. Ali, obteve informações sobre como emitir documentos e acessar benefícios, além de orientações sobre como matricular os filhos em escolas da região, garantindo que não perdessem o ano letivo. “Me sinto bem quando venho no CRAS, me dão o atendimento necessário”, conta.

Logo em sua chegada, porém, um susto: o estado do Rio Grande do Sul foi atingido por enchentes históricas, as maiores de sua história, o que obrigou Beatriz a se refugiar no ginásio municipal de Alvorada. As dificuldades não foram poucas. Mas o apoio também foi grande: além de vaga em abrigo e de acesso à água potável e à alimentação, logo ela recebeu o Auxílio Reconstrução do governo federal, no valor de R$ 5.100, além do auxílio do governo estadual de R$ 2.500. Agora, está reerguendo sua casa: já comprou material para a construção de uma sala e de um quarto.